6.8.08

fim da linha.

Passei dias procurando frases perdidas, alguma coisa ainda não-dita para por no papel em branco, mas não havia nada em mim - nem sequer um conselho meio irônico. O silêncio mais-que-breve estava instalado aqui dentro, não sei porquê - eu, antes cheio de palavras, agora sentia sua fuga dos meus dedos, como areia bem seca.

Se-ca.

Bem seca estava minha alma, perdida n'um labirinto tão escuro como noite de lua nova. Não, não havia lua, nem astro algum por aqui. Não havia nenhuma palavra também, por mais que as procurasse incessantemente - estavam todas com medo da pouca-chuva e céu nublado que insistiam em rondar a minha esperança. Inútil e pobre esperança que mal vazava das idéias. Droga, não há idéias por aqui. Apenas tentativas, receios. Sentimentos comprados em feira aos montes, com o dinheiro que sobra de troco.

Tro-co.

Eu troco essa minha esmola (um pouco esquecida) dentro do bolso por qualquer inspiração. Ou, se preferir, podemos estreiar um mercado negro de palavras - se você as possuir aos montes e inesgotavelmente, claro. Também posso procurá-las nos rascunhos perdidos no lixo.

Li-xo.

É como eu me sinto. Sem palavras.

Pa-la-vras.

Não há mais nada aqui além d'um antigo e esgotável ego.

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