10.5.08

canto de despedida.

O silêncio de quem grita,
Não é mais profundo
Que a dor de quem fica.

No berro, nossa história:
essa que enfia uma estaca
de memórias no meu peito.

(memórias
de alguém que partiu para o nunca).

E eu corro contra o tempo,
tento esquecer o que
volta com o vento:
o teu abraço.

Rasgo as noites procurando
um sorriso perdido em mim,
ou a beleza que restou depois
que a tempestade foi embora.

Cansei das minhas lágrimas:
elas não valem nada,
pois não conseguem
te dizer que meu silêncio
é de tanto que gritei por ti.

in memorian de minha avó, Zuleika.

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