4.5.08

plano perfeito - parte final.

[ler parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6, parte 7]

Chegamos ao fim e, a partir de agora, tudo começa a fazer sentido. Eduardo era só um analista de sistema que, com fins de diversão, criou um perfil falso no Orkut para conquistar algumas mulheres e depois desiludí-las, mas não esperava se apaixonar logo pela primeira escolhida. Depois de praticamente duas semanas que se conheciam, marcaram de se ver no shopping. Ela esperava encontrar Carlos Alberto de Silva e Silva, já ele torcia para que a reação dela, ao saber a verdade, não fosse ruim.
Quando se encontraram naquele sábado à noite, Eduardo precisou usar seus melhores argumentos para convencer Vera de que seu amor era verdadeiro e puro (independente de qualquer "porém" que houvesse na história). Por fim, ela o abraçou - ele estava perdoado. Seus corações estavam quentes e pulsantes, praticamente vulcões prontos para explodir. Os braços foram se soltando vagarosamente e os rostos, que antes estavam lado a lado, se juntaram em um único beijo - o primeiro, o mais desejado e o último.
Para infelicidade dos dois, ele sugeriu que jantassem num restaurante que ficava na parte de fora do shopping. Azar mesmo foi quando ela aceitou o convite. Getúlio e Vargas, que observavam o casal de longe, os seguiram até saírem do shopping. Se aproximaram e, discretamente, encostaram a boca de suas armas nas costas das vítimas.
- Não façam nenhum sinal, não demonstrem desespero. Venham conosco, agora.
Eduardo e Vera pararam por um segundo, pensaram em fugir, mas não daria tempo. Seguiram as ordem e foram caminhando de mãos dadas até o carro dos matadores.
Um foi guiando o carro, o outro sentou-se no meio dos seqüestrados. Pararam no meio da estrada. Obrigaram as vítimas a tomar um líquido que cheirava a veneno de rato.
- Para vocês dormirem melhor.
Ele foi jogado barranco abaixo. Não tiveram coragem de fazer o mesmo com Vera, porém metros adiante a deixaram meio de um matagal.
Chovia forte.
Pronto, o amor acaba por aqui. Não o amor dos filmes que é terrivelmente perfeito e chato ao mesmo tempo, mas esse da vida real que é estranhamente belo.

*** *** *** *** ***

Shopping, 23/02/08
Sábado, 22:00

Mariana foi embora sozinha mais uma vez: Henrique era só mais um desses caras que mentem na idade, na altura, na beleza. Definitivamente ela não tinha sorte no amor.

fim.

Nenhum comentário: